NOTA DE SOLIDARIEDADE PELA MORTE DE ROSANE KAIGANG

Rosane Kaingang. Crédito: Edison Bueno/Funai
Rosane Kaingang. Crédito: Edison Bueno/Funai

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), instância nacional que congrega as organizações indígenas regionais: APOINME, ARPINSUDESTE, ARPINSUL, ATY  GUASU, COMISSÃO GUARANI  YVYRUPA,  CONSELHO TERENA e COIAB manifesta por meio da presente a sua solidariedade e condolências aos familiares, parentes e amigos, de Rosane Mattos, do povo Kaingang, que no início da noite de domingo, 16/10, faleceu aos 54 anos vitima de câncer no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

A APIB manifesta ao mesmo tempo o seu repúdio à forma como os órgãos governamentais instituídos para atender os povos indígenas na área da saúde agem em casos como este. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a Casa do Índio (Casai) de Brasília se recusaram a transladar o corpo de Rosane Kaingang, para a sua comunidade de origem, alegando que não tem como, por ser ela uma “indígena desaldeiada”, não encaminhada pela sua área de referência. E mais: o descaso foi durante todo o período de tratamento.

Essa prática tem sido rotineira país afora com relação aos indígenas que moram nas cidades os quais são excluídos do atendimento básico.

Ora, na maioria dos casos os indígenas pagam pela falta de políticas públicas – seja na área da saúde, da educação ou da sustentabilidade-, isto é, pela ausência do Estado nos seus territórios. É preciso que seja redimensionada essa atuação, que no andar das coisas se traduz em discriminação e racismo institucional explícitos.

Quem foi Rosane Kaingang

Rosane, depois de ter sido coordenadora da atual Coordenação Geral de Etnodesenvolvimento da Funai, envolveu-se de corpo e alma no movimento indígena, assumindo a representação da Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul) na Comissão Executiva da APIB, entre 2009 e 2011. Depois sempre em nome da Arpinsul participou ativamente do dia a dia da luta indígena junto aos distintos poderes do Estado, acompanhando as distintas delegações de povos e lideranças indígenas que passavam por Brasília pleiteando a materialização de suas mais diversas reivindicações (demarcação, desintrusão, saúde, educação etc.), incomodando visivelmente os agentes do poder. Foi uma defensora aguerrida dos direitos das mulheres indígenas. Com razão o coordenador da Arpinsul, Marciano Rodrigues Guarani, ao se enterar da morte afirmou: “E partiu Rosane Kaingang para a Terra sem Males. Enquanto viveu esta guerreira nunca se calou diante das injustiças e adversidades que os povos indígenas enfrentam… Uma grande perda e vazio…”.

A APIB ressalta e lembrará sempre o espírito solidário e a entrega incondicional, por vezes muita sofrida, de Rosane Kaingang à luta pela defesa dos direitos povos indígenas.

Brasíia – DF, 17 de outubro de 2016.

 Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB

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