Indígenas e extrativistas unificam agenda de lutas em Brasília

Entidades divulgam a Carta de Brasília pela unificação das lutas em defesa dos direitos dos Povos Indígenas e das Populações Tradicionais Extrativistas

Coordenadores da Apib e do CNS comemoram unificação de agenda nesta quarta. Crédito: Victor Pires/ISA
Coordenadores da Apib e do CNS comemoram unificação de agenda nesta quarta. Crédito: Victor Pires/ISA

Representantes de povos indígenas e de comunidades extrativistas reuniram-se, em Brasília, entre segunda e quarta (8 e10/8), com o objetivo de unificar lutas e fortalecer suas reivindicações. A aliança foi costurada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). Em dois dias de reuniões, coordenadores das entidades produziram uma carta, onde destacam a necessidade de “fortalecer a articulação local, regional, nacional e internacional entre a APIB, o CNS, e as suas organizações de base, a partir de uma agenda comum de luta pelos direitos e a construção de planejamento estratégico de atuação conjunta” nos diferentes biomas (leia a carta).

“É um primeiro passo sinalizando que os movimentos sociais precisam estar unificados para esse enfrentamento e que a gente precisa agregar mais movimentos sociais a essa luta”, diz Kléber Karipuna, da APIB. Ele destaca que a articulação visa fortalecer tanto as pautas e movimentos a nível nacional quanto aqueles mais locais.

Karipuna explica que o trabalho agora é levar o diálogo da articulação para as bases, as comunidades locais, além de fazer o levantamento das demandas comuns dos povos indígenas e das populações extrativistas – na carta, algumas dessas demandas, como a questão territorial e o enfrentamento da violência, já são listadas. Ele acrescenta que outros encontros serão realizados para a construção de um plano de ações conjuntas.

“Sofremos as mesmas ameaças como povos indígenas e populações tradicionais”, diz Edel Moraes, vice presidente do CNS. Ela aponta a necessidade de união “para a gente poder ser mais fortes e poder enfrentar esse modelo que tanto nos mata, nos oprime e viola a nossa vida, os nossos territórios, os nossos modos de vida”.

“Nosso principal objetivo é o fortalecimento das nossas organizações e a luta pela garantia de nossos territórios tradicionalmente ocupados, de nossos territórios já regularizados e a luta pelos territórios ainda não destinados”, complementa Edel. Ela ainda destaca que buscam também, com a unificação das lutas, fazer o enfrentamento de “todas as ameaças e violações que estão em curso nesse momento contra os povos indígenas e as populações tradicionais do Brasil”.

“Nós achamos que as chances são mais reais se a gente unir as forças. Foi a partir daí que começamos a conversar no sentido de unir as forças para uma luta comum pela garantia dos direitos”, afirma Manuel Cunha, membro da diretoria do CNS. “Um palito sozinho com a mão eu quebro, mas dez palitos eu não quebro não. É nesse espírito”, conclui.

“Estar aqui hoje participando dela [a nova aliança] com todos os problemas, mas também com todas as perspectivas e todas as possibilidades que ela apresenta, para mim é muito importante, inclusive como filha do Chico [Mendes], que também foi vítima nesse processo todo”, lembra Ângela Mendes, representante do CNS.

A nova articulação entre indígenas e extrativistas remete à Aliança dos Povos da Floresta, firmada em 1989 e que contou com a contribuição do ambientalista e líder seringueiro Chico Mendes.

“Nós também, como Aty Guasu, esperamos conseguir fortalecer nosso movimento, fortalecer nossa luta e conseguir nosso objetivo, porque nossa luta é defender a vida”, afirma Eliseu Lopes Guarani-Kaiowá, representante do Conselho Aty Guasu, que reúne lideranças Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

Carta pela unificação das lutas CNS-APIB

 

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