Mobilização nacional indígena movimenta 16 estados

Mobilização nacional de 81 etnias ocupa prédios e rodovias em dezenas de estados do país. Defesa de direitos, da Funai e contra o assassinato de indígenas foram alguns dos temas que marcaram os protestos.

Texto: Mídia NINJA

Foto: Tuane Fernandes / Mídia Ninja
Foto: Tuane Fernandes / Mídia Ninja

“Essa CPI quer tomar nossas terras e nossos territórios, não somente criminalizar a Funai, e isso tem aumentado muito a violência contra nós, povos indígenas, e nós não podemos deixar que essa CPI seja maior que nossa força e nossos direitos. Vamos lutar contra essa CPI, direitos não se negociam, direitos devem ser respeitados“, disse Sonia Guajajara, líder indígena, em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, após cerca de 25 prédios da Funai serem ocupados simultaneamente em todo o Brasil.

Apenas no último mês, foram registrados dois ataques de grupos armados contra a tribo Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. No último dia 14 de junho, quatro pessoas ficaram gravemente feridas e uma faleceu vítima de fazendeiros. Antes de ontem (11) outros três foram baleados e também morreram.

A revolta dos povos tradicionais se dá em um grave momento de ataque à sua população, ao principal órgão indigenista do país, a Funai (Fundação Nacional do Índio) e ao instituto responsável por demarcações de terras, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A CPI da Funai é um mecanismo para suprimir terras indígenas e dar ainda mais terra para fazendeiros.

“Estabeleceram-se processos administrativos de titulação de terras para quilombos subjetivos e até fraudulentos, onde a simples opinião de um antropólogo se sobrepõe a tudo e a todos e a registros públicos seculares, onde os direitos constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa dos atingidos, inclusive dos entes federados, não são respeitados. O resultado é o que se conhece: reservas imensas, sem qualquer justificativa, atritos entre os próprios grupos indígenas e expulsão de agricultores de suas propriedades“, diz um trecho do documento de abertura da CPI da Funai/Incra.

No contexto de repetidos assassinatos de indígenas em todo o paí, dizer que agricultores são expulsos de suas propriedades e reservas não possuem justificativa de existir é, no mínimo, uma posição extremamente voltada ao agronegócio e à exploração da terra em detrimento da fauna, flora e dos povos tradicionais. Dessa forma, fica evidente ao que se propõe essa Comissão.

#OcupaFunai
Confira em quais cidades os prédios da fundação indigenista foram ocupados:

Brasília/DF
Lábrea/AM
Manaus/AM
Tucumã/PA
Canarana/MT
Juína/MT
Campo Grande/MS
Guaíra /PR
Itanhaém/SP
Rio de Janeiro/RJ
Governador Valadares/MG
Passo Fundo/RS
Imperatriz/MA
Florianópolis/SC
Rio Branco/AC
Goiânia/GO
Fortaleza/CE
Oiapóque/AP
Pauini/AM
Curitiba/PR
Marabá/PA
Aripuanã/MT
Santarém/PA
São José/SC

#OcupaFunai por todo país!

Acompanhe a cobertura das ocupações indígenas que estão tomando o Brasil hoje!
fotos: Mídia India

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“Funai tinha que ser Ministério e não retrocesso” – #‎OcupaFunai em Manaus/AM.
Foto: Mídia NINJA

bsb3bsb2bsbA forte mobilização de povos indígenas em Brasilia começou desde a manhã do dia 13/07. Partindo do prédio da Funai, indígenas vão até o Ministério da Justiça e fazem coletiva na Câmara dos Deputados nesta tarde.
Fotos: Mídia NINJA

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#Itanhaém (SP): povos indígenas também protestam em frente à Funai contra o ataque aos seus direitos!
Foto: Mídia Ninja

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As etnias Karipuna, Galibi Marwono, Kalina, Palikur, Waiana, Apalai, Wajapi, Tiriyo, Kaxuyana e Txikyiana bloqueiam BR 156 em Oiapoque/AP.

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Macapá (AP) com as etnias Karipuna, Galibi Marwono, Kalina, Palikur, Waiana, Apalai, Wajapi, Tiriyo, Kaxuyana, Txikyiana, contra a Pec 215 e a decisão de paralisar ou rever a demarcação de Terras Indígenas.

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Ocupação na FUNAI em Fortaleza (CE)  contando com a resistência das lideranças indígenas tradicionais, jovens e as(os) pequenos guerreirinhos(as)
Fotos: Péricles M. Moreira – Levante Popular da Juventude CE

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Em Goiás, estudantes se juntam ao #OcupaFunai e vão as ruas

ms ms2Povos Terena e Guarani Kaiowa protestam na Funai de Campo Grande/MS. Eles exigem a demarcação de terras indígenas e o fim do sucateamento da Funai no estado.

juina juina2Em Juína/MT As etnias Rikbaktsa, Cintalarga, Enawene, Nawe, Arara, Manoky, Myky, Apyaka, Mundurucu e Kayabi, junto ao líder indígena Jorge Cinta Larga puxam o ato #OcupaFunai.

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As etnias Wassu X. Kariri, Katokinn, Karuazu, Geripanko e Xoko ocupam prédio sede da Funai em Maceió/AL #OcupaFunai.

xingu2As etnias Yawalapiti,Kalapalo,Kuikuro,Kawaiwete,Waura, Mehinako, Matipu, Nafukua na sede da Funai, em Canarana (Xingu) MT, contra os retrocessos, pelas demarcações de terras, contra a paralisação das atividades do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI).

passofundo passofundo2A etnia Kaingang ocupa a sede da FUNAI em Passo Fundo/RS. “Não tirem nosso lar, nosso alimento, e nossa mãe, nossa vida, não à PEC 215”, dizem os indígenas.

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Ocupação na Funai Acre, que conta com a presença do antropólogo Terri Aquino e do indigenista Txai Macedo, além das povos indígenas da região.
Foto: Malu Ochoa


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Em Florianópolis (SC), as etnias Guarani e Xokleng ocupam a sede da Funai, pela criação urgente do Conselho Nacional de Política Indigenista, entre outras pautas.

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Juventude Guajajara puxa a frente #‎OcupaFunai em Imperatriz/MA

guaira guaira2Em Guaíra, região oeste do Paraná, os Ava Guaranis se somam ao dia da #‎OcupaFunai , contra a possível exclusão da Funai na estrutura administrativa do Ministério da Justiça.

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